CASIMIRO DE ABREU — Escutar, acolher, proteger e orientar. Com esse propósito, profissionais da rede pública de Casimiro de Abreu participaram, na tarde da última segunda-feira (24), de uma palestra voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher. A atividade foi realizada no auditório do CREM e integrou as ações do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher.
A iniciativa foi promovida pelas Secretarias Municipais de Saúde e de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, em parceria com a Patrulha Maria da Penha. O encontro reuniu servidores de diferentes áreas da administração pública e teve a participação da secretária Luciana Dames e da subsecretária Cida Otz.
A capacitação contou com a participação de Anna Carolina, coordenadora da Mulher; Gleice Viana, coordenadora do CEAM; Juliana da Silva, assistente social do CEAM; e Ariana Barbosa, coordenadora da Patrulha Maria da Penha. Durante a palestra, foram abordados aspectos relacionados à criação da Lei Maria da Penha, os diferentes tipos de violência e os procedimentos que devem ser adotados pelos profissionais no atendimento às mulheres em situação de violência.
Um dos principais objetivos da ação foi ampliar a capacidade dos profissionais da rede pública para reconhecer situações de violência e oferecer um atendimento humanizado, seguro e adequado às vítimas.
A violência doméstica e familiar contra a mulher é considerada um grave problema de saúde pública e uma violação dos direitos humanos. Nesse contexto, a capacitação dos profissionais que atuam diretamente com a população é fundamental para identificar sinais de violência, orientar as vítimas e facilitar o acesso aos serviços de proteção.
O acolhimento adequado pode ser decisivo para que uma mulher consiga romper o ciclo de violência e buscar ajuda. Por isso, informação, escuta qualificada e conhecimento sobre a rede de atendimento são ferramentas essenciais para os profissionais.
Durante o encontro, os participantes também receberam orientações sobre as cinco formas de violência contra a mulher previstas na Lei Maria da Penha.
A violência física envolve qualquer conduta que cause dano à integridade ou à saúde corporal da mulher. Já a violência psicológica inclui ameaças, humilhações, manipulação, isolamento, controle e outras atitudes capazes de provocar sofrimento emocional ou diminuir a autoestima.
A violência sexual ocorre quando a mulher é constrangida a presenciar, manter ou participar de uma relação ou prática sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força.
Também existe a violência patrimonial, caracterizada pela retenção, subtração ou destruição de documentos, objetos, instrumentos de trabalho, bens e outros recursos pertencentes à mulher.
Já a violência moral envolve práticas como calúnia, difamação e injúria, incluindo acusações falsas, ofensas e a divulgação de informações destinadas a prejudicar a imagem da vítima.
O Agosto Lilás ganha ainda mais relevância em 2026, ano em que a Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, completa 20 anos. Criada em agosto de 2006, a legislação representa um dos principais marcos brasileiros no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Ao longo de duas décadas, a Lei Maria da Penha consolidou mecanismos de prevenção, assistência e proteção às mulheres vítimas de violência, além de estabelecer medidas destinadas a responsabilizar os agressores.
Em Casimiro de Abreu, a realização da capacitação reforça a importância de manter a rede pública preparada para identificar situações de violência e garantir que as mulheres tenham acesso à orientação, ao acolhimento e aos mecanismos de proteção disponíveis.
A mensagem do Agosto Lilás permanece direta: escutar pode salvar, acolher pode fortalecer, proteger pode interromper o ciclo de violência e denunciar pode ser o primeiro passo para uma nova história.