Rio das Ostras Justiça
Médica é assassinada e enterrada no quintal em Rio das Ostras: homem é condenado a 28 anos e 9 meses de prisão
Emanoel Pereira foi condenado pelo assassinato de Glaubênia Serpa Costa, que o considerava como um irmão; réu também respondeu por ocultação do crime, apropriação de bens e maus-tratos aos animais da vítima.
29/08/2026 08h14
Por: Ricardo Marcogé
Emanoel Pereira foi condenado a 28 anos e 9 meses de prisão pela morte da médica Glaubênia Serpa Costa, cujo corpo foi encontrado enterrado no quintal de sua residência, em Rio das Ostras. Foto: Reprodução

RIO DAS OSTRAS — O Tribunal do Júri condenou Emanoel Pereira a 28 anos e 9 meses de prisão pela morte da médica Glaubênia Serpa Costa, em um crime que chocou Rio das Ostras. O julgamento, conduzido após mais de 15 horas de trabalhos, reconheceu integralmente as acusações apresentadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

A acusação foi sustentada pelos promotores de Justiça Roberta Maristela dos Anjos e Matheus Rezende, integrantes do Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri (GAEJURI/MPRJ), além da promotora Taísa Ostini, titular da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Rio das Ostras.

Segundo o Ministério Público, Glaubênia foi morta por Emanoel, pessoa em quem depositava profunda confiança e que considerava como um irmão. O crime teria sido motivado pelo interesse do acusado em se apropriar de bens e valores pertencentes à médica.

Médica foi asfixiada e golpeada com faca

De acordo com as provas apresentadas durante o julgamento, Emanoel asfixiou Glaubênia e, quando ela já não tinha condições de reagir, desferiu um golpe de faca contra a vítima.

Após o assassinato, o acusado teria preparado uma cova no quintal do imóvel, onde enterrou o corpo da médica juntamente com a faca utilizada no crime. O cadáver ainda recebeu cal, em uma tentativa de dificultar sua localização e ocultar os vestígios do homicídio.

O Conselho de Sentença reconheceu as circunstâncias qualificadoras apontadas pela acusação, incluindo o motivo torpe e o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Corpo foi localizado meses depois

O corpo de Glaubênia Serpa Costa foi encontrado em março de 2024, meses após o assassinato, enterrado no quintal da própria residência.

A investigação teve início depois que pessoas próximas à médica começaram a estranhar seu desaparecimento e buscaram auxílio do Ministério Público. A partir das informações recebidas, o MPRJ solicitou diligências à 128ª Delegacia de Polícia, que passou a investigar o caso e identificou Emanoel como suspeito.

Durante a investigação, o acusado confessou o homicídio. Posteriormente, acompanhado por policiais, retornou ao imóvel e indicou o local onde havia enterrado o corpo de Glaubênia e escondido a faca utilizada no assassinato.

Réu tentou se passar pela vítima nas redes sociais

Além do homicídio, o Ministério Público apresentou provas técnicas indicando que Emanoel teria adotado uma série de medidas para esconder a morte da médica e continuar se beneficiando da confiança que ela havia depositado nele.

Conforme a acusação, nos meses seguintes ao crime, o réu teria utilizado as redes sociais para se passar por Glaubênia, tentando fazer com que outras pessoas acreditassem que ela ainda estava viva.

Ele também teria se apropriado de bens da médica e realizado transações bancárias utilizando o nome da vítima, valendo-se do acesso que possuía às contas e ao patrimônio dela.

Para a coordenadora do GAEJURI/MPRJ, promotora de Justiça Simone Sibílio, a sequência de ações posteriores ao assassinato demonstrou uma estratégia para ocultar o crime e manter os benefícios obtidos a partir da relação de confiança estabelecida com a vítima.

“O homicídio foi seguido por uma sequência de condutas voltadas a esconder o crime e permitir que o réu continuasse se beneficiando da confiança que Glaubênia havia depositado nele.”

Segundo Simone Sibílio, o Conselho de Sentença reconheceu essa dinâmica e responsabilizou o acusado também pelas condutas praticadas após a morte da médica.

Animais da médica foram encontrados em situação de maus-tratos

Durante as diligências realizadas no imóvel, as autoridades encontraram também os animais de estimação de Glaubênia abandonados em condições insalubres.

Os animais estavam sem alimentação, hidratação, higiene e cuidados veterinários adequados. Emanoel também foi condenado pelo crime de maus-tratos aos animais.

Além da condenação criminal, a sentença determinou que o réu fique proibido de manter a guarda dos animais.

Condenação

Ao final de um julgamento que durou mais de 15 horas, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público e reconheceu os crimes atribuídos a Emanoel Pereira.

A pena estabelecida foi de 28 anos e 9 meses de prisão, encerrando no Tribunal do Júri uma das investigações de maior repercussão em Rio das Ostras nos últimos anos.

O caso ganhou grande comoção na cidade devido à relação de confiança entre vítima e acusado e à descoberta do corpo da médica enterrado no quintal da própria residência meses após sua morte.