Região dos Lagos — Um relatório técnico elaborado pela concessionária responsável pela Via Lagos (RJ-124) aponta risco de desabamento repentino do pavimento em pontos da rodovia que liga Rio Bonito a São Pedro da Aldeia e é uma das principais vias de acesso à Região dos Lagos.
O documento foi encaminhado pela CCR ao Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro (DER-RJ) em julho e identifica problemas considerados críticos em pelo menos sete pontos entre os quilômetros 0 e 30 da rodovia. Entre as ocorrências estão rachaduras, trincas, infiltrações e rupturas em estruturas de drenagem e bueiros.
Segundo o diagnóstico, as falhas podem provocar afundamento da pista, abertura de crateras e acidentes, caso as estruturas apresentem novos rompimentos ou não recebam as intervenções necessárias. O alerta, portanto, está relacionado a pontos específicos da rodovia e não significa que toda a extensão da Via Lagos esteja sob risco de desabamento.
A avaliação da concessionária concentra-se principalmente nas estruturas responsáveis pelo escoamento da água sob a rodovia. Segundo o relatório, problemas nesses sistemas podem comprometer o terreno sob o pavimento e, consequentemente, afetar a estabilidade da pista.
A Via Lagos possui aproximadamente 57 quilômetros, ligando a região de Rio Bonito à Região dos Lagos. O DER-RJ mantém, inclusive, pontos de fiscalização e controle de velocidade na RJ-124, demonstrando a relevância operacional da rodovia para o tráfego regional.
No documento encaminhado ao DER-RJ, a CCR afirma que determinadas intervenções necessárias não poderiam ser executadas pela concessionária dentro das atuais obrigações contratuais.
A empresa relaciona o impasse aos termos aditivos que ampliaram a concessão da Via Lagos até 2047. Segundo a CCR, esses instrumentos incluiriam intervenções na rodovia, mas foram considerados ilegais pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) em decisão de 2022.
A concessionária sustenta, entretanto, que mantém diálogo com os órgãos reguladores e fiscalizadores e afirma adotar medidas destinadas à preservação da segurança dos usuários e da infraestrutura da rodovia.
O posicionamento do TCE-RJ acrescenta um ponto importante ao caso.
De acordo com o gabinete do conselheiro relator Rodrigo do Nascimento, a decisão da Corte não impede a realização de obras de engenharia ou serviços de manutenção destinados à segurança da Via Lagos. Ou seja, o entendimento apresentado pelo Tribunal é diferente da interpretação atribuída pela concessionária ao processo envolvendo os aditivos contratuais.
A questão envolve a análise da extensão das obrigações contratuais e de quais intervenções devem ser realizadas pela concessionária ou pelo poder público.
Procurado sobre a situação, o DER-RJ informou que monitora os trechos da Via Lagos que necessitam de intervenções no sistema de drenagem.
Segundo a autarquia, parte das obras emergenciais chegou a ser executada no ano passado, enquanto outras intervenções permanecem em avaliação. O órgão também informou que as obras de drenagem estão entre as prioridades da proposta de modernização do contrato atualmente em análise pelo TCE-RJ.
Já a Agetransp afirmou que realiza fiscalização rotineira da RJ-124 e vistoria as condições operacionais da rodovia. De acordo com a agência, determinadas intervenções precisam ser avaliadas individualmente pelo DER-RJ.
A divulgação do relatório coloca novamente em evidência a necessidade de manutenção e acompanhamento permanente da Via Lagos, especialmente em estruturas de drenagem que podem afetar a estabilidade do pavimento.
A rodovia é utilizada diariamente por moradores de diversos municípios e ganha ainda mais importância em períodos de feriados e alta temporada, quando o fluxo de veículos em direção à Região dos Lagos aumenta significativamente. Em 2025, por exemplo, o DER-RJ estimou que cerca de 420 mil veículos passariam pela RJ-124 durante o Carnaval.
Até o momento, não há informação de interdição geral da Via Lagos em razão do relatório. O alerta se refere aos pontos identificados no diagnóstico técnico, enquanto os órgãos responsáveis avaliam as intervenções necessárias.
O Grupo de Mídias O Debate 24H continuará acompanhando o caso e buscará atualizar os leitores sobre eventuais obras, interdições, alterações no tráfego ou novas manifestações da CCR, DER-RJ, Agetransp e TCE-RJ.