A Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (Biomar) realiza, ao longo de setembro, uma nova mobilização nacional em apoio ao World Cleanup Day, o Dia Mundial da Limpeza. Sob a liderança do Projeto Coral Vivo, os projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador e Meros do Brasil, patrocinados pela Petrobras, articulam ações de limpeza em diferentes pontos do litoral brasileiro. Toda a população está convidada a participar dos mutirões, que contam com a colaboração de escolas, comunidades, organizações locais, gestores públicos e voluntários. Em Cabo Frio (RJ), o Projeto Albatroz vai coordenar uma ação de limpeza na Laguna de Araruama no próximo sábado (26).
Realizado anualmente, o World Cleanup Day é uma mobilização global voltada ao combate do lixo descartado de forma incorreta no meio ambiente. Nas ações organizadas pela Rede Biomar, os resíduos retirados são triados, pesados e registrados, em um trabalho que também inclui atividades de educação ambiental. Assim, a iniciativa não termina com a limpeza da faixa de areia: os dados coletados ajudam a qualificar diagnósticos ambientais, abastecer bases nacionais e internacionais e subsidiar pesquisas, campanhas educativas e políticas públicas para a proteção do oceano.
A mobilização também chama atenção para os impactos da poluição sobre a biodiversidade marinha. Resíduos plásticos, em especial fragmentos e microplásticos, permanecem por longos períodos no ambiente, podem ser ingeridos por animais e afetam ecossistemas sensíveis, como os recifes de coral. Ao envolver a população na coleta e na classificação dos materiais, os mutirões transformam a participação comunitária em ciência cidadã e tornam visível a relação entre hábitos de consumo, descarte e poluição das praias.
Desde 2018, as ações integradas da Rede Biomar já mobilizaram mais de 4.400 voluntários e retiraram cerca de 17 toneladas de lixo do litoral brasileiro. Somente em 2025, 1.813 pessoas participaram dos mutirões em cinco estados. As equipes percorreram 28 quilômetros de faixa litorânea, encheram 557 sacos e removeram 4,7 toneladas de resíduos, com 32.013 itens registrados. A triagem somou 127 horas e analisou o conteúdo de 194 sacos.
O plástico voltou a ser o resíduo predominante em 2025. Ele representou 36,6% do peso coletado, o equivalente a 1,7 tonelada, e 51% dos itens registrados. Nas amostras submetidas à triagem detalhada, sua participação chegou a 85%. Entre os achados que mais chamaram atenção estavam dois fardos de borracha da Segunda Guerra Mundial, localizados em Arraial d'Ajuda, na Bahia, e em Barreiros, em Pernambuco. Associados a cargas de navios alemães afundados no Atlântico em 1944, os blocos reapareceram nas praias mais de 80 anos depois.
As equipes também recolheram garrafas PET com rótulos em chinês em Prado, na Bahia, e Barreiros, em Pernambuco, além de um assento sanitário, um garrafão plástico com validade de 1997, um botijão de gás e bonecas danificadas. Os itens evidenciam a persistência dos resíduos no ambiente e sua dispersão por correntes, ventos e pelo descarte local.
Ação de limpeza com a coordenação do Projeto Albatroz:
• 26 de setembro, às 9h | Cabo Frio (RJ): Limpeza da Laguna de Araruama, no Projeto Albatroz, Av. Wilson Mendes, s/n, Porto do Carro. Ação liderada pelo Projeto Albatroz com a participação do PMP-BC/ES, Instituto Mar Sem Lixo, Projeto Coral Vivo, Projeto Costão Rochoso, Projeto Cavalos Marinhos, Projeto Baleia Jubarte, Universidade Veiga de Almeida, Grupo Escoteiro São Pedro, Grupo Escoteiro Cabo Frio, entre outros.
Para participar da atividade, é necessário se inscrever previamente neste link. A ação de limpeza é aberta ao público e pode ser reagendada em caso de chuva. Os voluntários devem usar roupas leves e levar água, protetor solar e boné.
Sobre a Rede Biomar
A Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (Biomar) é formada pelos projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador e Meros do Brasil, patrocinados pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Desde 2008, a Rede Biomar realiza limpezas em praias e ambientes costeiros com metodologia padronizada, unifica e qualifica dados que apoiam pesquisas e políticas públicas e sensibiliza voluntários para a reflexão sobre a produção e a gestão de resíduos, ampliando o impacto das ações locais na conservação ambiental.
Sobre o Projeto Albatroz
O Projeto Albatroz trabalha desde 1990 pela redução da captura incidental de albatrozes e petréis no Brasil e é patrocinado pela Petrobras desde 2006. Atualmente, mantém bases em quatro estados brasileiros e um Centro de Visitação em Cabo Frio (RJ), com exposições, trilhas autoguiadas, deck de observação de aves e espaço para atividades de educação ambiental em uma região importante para a conservação de albatrozes e petréis na costa brasileira.
Esta iniciativa contempla os itens 13 e 14 e 15 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Ação Contra a Mudança Global do Clima, Vida na Água e Vida Terrestre.